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Crise: o bairro dos Jardins está para alugar?

Cadê o quadrilátero de luxo que estava aqui? Ao dar uma pequena volta pelo bairro dos Jardins, em São Paulo, é simples constatar que os tempos são outros.

Se há alguns anos a região era o endereço das principais marcas nacionais e grandes grifes internacionais, o que se vê hoje é uma realidade completamente diferente. Muitas delas entregaram seus pontos e há uma quantidade inacreditável de imóveis à venda ou para alugar, fato raro nesse passado nem tão distante. Enquanto essas marcas saíram do bairro, duas grandes lojas dão uma boa dica desse momento – a Riachuelo e a Forever21 chegaram no pedaço.

Mas que se deve esse novo cenário? A crise, claro! Afinal, que bom termos alguém para culpar, que não a nós mesmos. O problema é que essa entidade CRISE parece não ter o menor interesse em melhorar as coisas, então o que fazer? Primeiro, refletir. Segundo mudar e/ou fechar seu negócio. Quase simples e cruel assim. Se quem desce para o play precisa saber brincar, quem tem um negócio precisa saber administrar.

Esse texto está longe de encontrar a fórmula mágica para superar essa triste fase (de quanto tempo?), mas convida a pensar em alguns pontos cruciais que ficam evidentes nesse momento.

– A crise é fato, então todas as luzes de emergência estão acesas. Toda cautela se faz necessária.

– O mundo está confuso, em todos os sentidos. As pessoas parecem estar descontroladas, querem resolver de imediato o que não fizeram durante anos. Cuidado para não criar um colapso!

– Todos acham que estão certos, independente de estar prejudicando o outro ou não – o que vale é se dar bem. Sabe aquela máxima que já ouvimos que tudo que fazemos volta? Cuidado, não há atalho – fez coisa errada, a cobrança de alguma forma volta.

– Os tempos são outros, vivemos um momento de transição e os antigos (nem tão antigos assim) modelos de negócio estão em cheque. Ninguém ainda sabe como será essa nova postura, mas já está claro que continuar fazendo as coisas como foram feitas até agora não está correto. Há a necessidade de se rever seus métodos, quebrar paradigmas, olhar o mundo por outro ângulo, refletir em novas possibilidades.

– Olhe para o próprio umbigo. Antes de tentar resolver os problemas externos, há uma grande possibilidade de situações internas serem resolvidas.

– O momento é esse: trabalhar mais e ganhar menos. Se isso é fato, reveja seus custos fixos e o preço de seus produtos. Acabou o tempo de colocar o preço de custo em uma planilha, puxar a fórmula e pronto – os preços estavam prontos! Há a necessidade de cobrar um preço justo. Mudar o antigo mark up de 2.0? Ganhar no giro? Lembre-se que continuar fazendo do mesmo jeito parece não resolver o problema.

– Há uma retração no consumo em todos os níveis, mas parece que dois segmentos sentem menos esse impacto. Compra-se o essencial ou comete-se a loucura de realizar um sonho. Produtos que ficam no meio desses dois pontos, tendem a ter problemas, já que não são uma coisa nem outra. O que mais se vê por aí são marcas que se posicionam de uma forma, mas na prática oferece produtos de qualidade inferior.

– A tributação também é um fato e deixa o produto nacional absolutamente em desvantagem em relação aos importados. Você vai ficar repetindo isso ou prefere queimar os miolos e usar a criatividade para driblar essa dificuldade? Isso não tem a ver com burlar as regras, mas sim fazer mais com menos.

– O mundo está aqui no quintal. Não dá mais para ter aquela postura que funcionou tanto nos anos 1980, quando se viajava para o exterior, comprava-se os produtos que mais gostavam e traziam para serem copiados. Pior, hoje em dia nem compram – entram no provador e fazem fotos pelo celular, para então fazerem a réplica nacional. Isso é cópia, completamente diferente de se ter uma inspiração. O consumidor não é bobo e a internet está aí para deixar o mundo mais perto. Algo que é desfilado em Paris pode ser visto no mesmo momento em qualquer lugar do globo.

– Há uma crise de mão de obra qualificada. Primeiro porque é uma realidade de um país que não investe em educação, mas não podemos deixar de assumir a nossa parte. Será que sabemos contratar ou essa decisão sempre está nas mãos de quem também não tem preparo para tal atividade? Quem ocupar os cargos em sua empresa estão lá por mérito e capacidade ou apenas por ter que estar, por ser amigo ou da família? Você está oferecendo remuneração compatível ao perfil profissional que precisa ter ou está sucateando sua estrutura, contratando nível junior (com salário idem), mas exigindo resultado de um sênior?

– Cuidado com quem se comparar. Seu produto oferece tudo o que está em questão faz? Ter o bônus sem ter o ônus não fecha a equação. Quantas vezes vemos marcas terem o mesmo preço de outra que investe em pesquisa, produção, ponto de venda, equipe bem treinada, visual merchandising, campanha publicitária, embalagem etc, mas oferece algo absolutamente desproporcional com o mesmo preço ou superior?

Quando a água abaixa, tudo o que estava submerso aparece. É na crise que os problemas aparecem, assim como o que é bom também. Desespero e pessimismo não ajudam em nada, muito pelo contrário – esse é o momento de ter calma para tomar a melhor decisão. Um passo mal dado pode ser crucial!

Há muito o que se fazer, o assunto não esgota aqui. Esse é apenas um convite para começar a se movimentar. Fazendo sua parte fica mais fácil (ou menos difícil) encontrar seu caminho. Se preferir chorar, saiba que alguém vai se dar bem vendendo lenços…

Crise-01
Quadra inteira para alugar.

Crise-02
A crise está na cara.

Crise-03
Novos tempos.

Fotos: Reproduções/RadarX

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