Depois de levar mais de 12 mil pessoas para uma fábrica desativada no Jaguaré, o festival holandês DGTL, escolheu o Mart Center, com 50 mil metros quadrados, para realizar a sua terceira edição que aconteceu no sábado, 4. O evento, que recebeu no lineup uma curadoria especial com nomes como Amelie Lens, Bonobo, Jeff Mills, Richie Hawtin, entre outros, acabou cometendo deslizes graves durante a sua noite, que para muitos brasileiros que estavam presente, não poderiam acontecer.

Erros de infra-estrutura como pistas sem muita ventilação, bares com grande demora para o atendimento e banheiros que não estavam em boas condições, foram alguns dos pontos que os frequentadores da noite mais levantaram em seus comentários na página oficial do DGTL. Outra questão que o evento pisou feio na bola foi o descuido que teve com dois performances brasileiros. Loïc Koutana e AUN, que iriam se apresentar no afterparty do evento, com previsão de início às 4h, foram impedidos de subir ao palco do stage pela produção da festa. Loïc, que passou pela situação consecutivamente – o mesmo havia acontecido em 2018 quando ele também enfrentou problemas e não conseguiu fazer sua apresentação – repercutiu o ocorrido em suas redes sociais e obteve resposta conjunta ao público da festa que exigiu esclarecimentos sobre os fatos.

Em nota publicada no perfil oficial do DGTL – horas depois das reclamações o evento da edição brasileira do festival saiu do ar – os organizadores lamentaram os ocorridos e se justificaram com o público:

“Chegou ao nosso conhecimento que experiências contrárias aos padrões do DGTL foram relatadas por artistas performers brasileiros. Estamos chocados, lamentamos muito pelo ocorrido e nos certificaremos de que isso nunca ocorra novamente. Para o DGTL é muito importante que todos se sintam confortáveis, independentemente da raça, gênero ou sexualidade, pois acreditamos numa sociedade inclusiva.

Nós conversamos com os artistas envolvidos, Loïc Koutana e AUN. Juntos, concordamos que a falta de comunicação e mal-entendidos de nosso lado foram claramente fatores cruciais e estamos envergonhados por isso ter acontecido. Nunca houve intenção de excluir ninguém.

Como festival DGTL nós devemos e queremos entender melhor a cultura brasileira. Por isso, decidimos que viajaremos para o Brasil para um encontro com os artistas e suas comunidades, para ter um diálogo aberto e iniciar uma colaboração próxima para eventos futuros. Reconhecemos a importância destes artistas no festival DGTL em São Paulo. Além disso, nós os convidamos para se apresentarem no DGTL Barcelona em agosto. Eles aceitaram nosso convite e estamos ansiosos por sua performance. Garantiremos que eles recebam o tratamento e o respeito que merecem.

Como estamos constantemente tentando melhorar nossos eventos, enviaremos uma pesquisa para todos os participantes, para obter uma maior compreensão do que nosso público gostou e não gostou no DGTL deste ano em São Paulo, para que possamos agir onde for necessário para criar a melhor experiência.”

Com certeza, o festival terá que fazer muitas correções diante dos fatos que ocorreram nesta edição e que fizeram com que a experiência de muita gente não fosse a melhor possível como tiveram em anos anteriores. Seguimos na torcida para que isso ocorra, já que o DGTL tem histórico de fazer suas edições itinerantes ao redor do mundo sempre em grande estilo.
Fotos: Divulgação/DGTL