Discriminação contra LGBT cai no Distrito Federal, mas ainda é grave, indica pesquisa

Misto de comemoração com preocupação. Por ocasião da 19ª Parada do Orgulho LGBT de Brasília, uma pesquisa realizada pela Associação da Parada do Orgulho LGBT de Brasília ouviu 375 pessoas e, em comparativo inédito no País, mostra que a discriminação contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros no Distrito Federal caiu.

A conclusão vem do comparativo entre dois levantamentos com os mesmos objetivos. No primeiro, em 2007, apurou-se que 64% dos entrevistados haviam sido vítimas de discriminação nos dois anos anteriores. Na pesquisa agora divulgada e feita neste mês, o mesmo índice caiu para 51,4%. Queda de 20% em relação ao apurado em 2007, quando se entrevistou 356 pessoas.

Com coordenação geral do ativista Welton Trindade, da Associação da Parada, e coordenação técnica da Strategos Empresa Júnior de Consultoria Política, a pesquisa entrevistou 375 LGBT em bares, festas e clubes arco-íris da capital. A aplicação ficou a cargo de grupo de voluntariado. O financiamento foi obtido por meio de doações de homossexuais.

Para Trindade, há que se destacar o ponto positivo da diminuição do preconceito, mas, ele enfatiza que o desafio de superar a discriminação continua. “O levantamento evidencia que, aos poucos, o respeito à diversidade tem ganho espaço, mas não se pode aceitar que ainda um de cada dois LGBT tenham sofrido discriminação. Nossa comemoração aí dura pouco ao ver ainda o quanto há preconceito.”

Tal comparativo entre anos é algo inédito no País. Trata-se de um passo importante e nunca dado no Brasil poder ter feito análise de dois momentos sobre esse tema com os mesmos parâmetros.

Diferenças dentre segmentos

O levantamento também demonstrou que dentre LGBT há diferenças. Travestis, transexuais e transgêneros são o segmento que mais relatou ter sofrido discriminação: 76,47%. Em seguida, vêm mulheres cisgêneros homo e bissexuais, com 60,71%. Dos homens cisgêneros homo e bissexuais, a taxa foi 45,52%.

Taxa de denúncia é muito baixa

Outro dado preocupante encontrado pelo estudo é o alto nível de discriminações que não são denunciadas. Dentre a amostra entrevistada e que sofreu preconceito, 87% disseram não terem feito relatos oficiais sobre o ocorrido, seja policial, alguma autoridade pública ou responsáveis por ambientes de trabalho ou estudo.

Para Amanda Ayres, da Strategos, viu-se uma realidade que precisa ser mudada. “Os indivíduos discriminados tendem a se omitir.”

Família é foco de preconceito

Caminhos importantes para a superação da discriminação contra LGBT são apontados em outra pergunta. A questão sobre quem discriminou encontrou os seguintes índices de respostas: 76% foram desconhecidos, 44% foram parentes, e 36% escolas de escola ou faculdade. Podia-se escolher mais de uma alternativa aqui para relatar um ou mais casos de atos preconceituosos sofridos.

Para Trindade, esse índices devem servir de base para políticas públicas e ações da sociedade civil. “Ser destratado por desconhecidos é falta de civilidade, no mínimo, e de falta de respeito ao direito do outro. E encontrar família no segundo lugar coloca o desafio de falar mais sobre a diversidade dentre parentes. Sobre o ambiente de estudo, há de ser mais efetivo em ações educacionais para mudar esse cenário.”

Dos 375 respondentes, 58,1% foram homens cisgêneros homo ou bissexuais, 29,8% de mulheres cisgnêneros homo ou bissexuais e 4,5% de travestis, transexuais e transgêneros. As proporções foram definidas com base na pesquisa sobre sexualidade Mosaico Brasil (2008), da USP, que traçou perfil com base na orientação sexual dos moradores do DF. Travestis, transexuais e transgêneros, que diz respeito a identidade de gênero, tiveram inclusão na pesquisa de forma aleatória e de acordo com presença nos locais pesquisados.

Foto: Reprodução

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