Ganhava R$20,00 por dia e hoje tem o título de “O Homem do Ano” 

No ar pela Rede Globo na novela ” A Lei do Amor” interpretando o Deputado Arlindo Nacib, Maurício Machado é um exemplo de perseverança, superação e sucesso. Apaixonado pelo teatro, o ator teve que ralar, e muito, para alcançar seus sonhos. “Meu pai deixou claro que se eu saísse de casa, não poderia contar com seu auxílio em absolutamente nada.”, contou ele em entrevista exclusiva ao Vipado.

Com mais de 30 espetáculos acumulados em sua carreira, Maurício também tem outro orgulho profissional, o de ser dono de um teatro. O sócio-diretor e também curador artístico do Teatro J. Safra, que conta com 633 lugares e inaugurado em julho de 2014 na Barra Funda, em São Paulo, é um dos grandes nomes quando falamos de arte e cultura brasileira e já foi premiado por isso.

Profissional com voz ativa e respeitada, que defende seus ideais, Maurício nos disse também que é a favor da criminalização da homofobia. “As únicas armas possíveis de transformar e transmutar esse painel assombroso que vivemos em vários níveis.”.

Confira a entrevista na íntegra:

Vipado: Que importância o teatro tem na sua carreira artística? Ele foi fundamental até que ponto para você entrar na televisão?
MM:
O Teatro é minha casa. Meu porto definitivo. E de onde nunca e jamais posso me ausentar. Mas minha preferência mesmo é por trabalho.

O Teatro jamais foi um trampolim para a TV, e sim uma consequência natural do fato de ser Ator, e poder exercer meu ofício. Eu acho que essa é uma profissão distinta de todas as demais. São raros os atores no País que tem a opção de escolher ser ator de teatro, cinema ou TV exclusivamente. Eu estive por muitos anos como ator de teatro. Amo incondicionalmente o teatro, respiro, como, durmo e sonho, mas sempre desejei ter uma carreira que transitasse por todos os veículos, por todas as possibilidades que meu ofício pudesse me oferecer, e não somente os mais óbvios, mas também o circo, o rádio, os eventos …

O teatro é o local pleno do ator. A arte que acontece ali, e que não poderá ser revista daqui há alguns anos. Ela marca e toca no coração e na lembrança das pessoas. Cada sessão é diferente e única, é onde o trabalho do intérprete é de corpo presente e inteiro, entregue, de alma. E ainda, quando a platéia está ali cooperando, na mesma sintonia que os atores, a magia acontece! Mas, aprendi que a TV me torna um ator mais preparado, inclusive para o teatro. Por conta de seu ritmo insano e industrial, ela te afia, te instiga a ser um profissional mais rápido e atento para os desafios, resoluções e escolhas, que a quantidade de cenas diferentes te exige todo dia.

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Mauricio Machado (Foto: Láercio Luz)

Vipado: Você citou em algumas entrevistas que já chegou a ganhar R$20,00 por dia e que passou fome. Quando isso aconteceu?
MM: Vim parar por obra do destino em São Paulo, passar um final de semana e assistir a estreia de uma amiga, a nossa querida, famosa e saudosa Mara Manzan, além de aproveitar para fazer outros programas de turista. Alguns culturais outros gastronômicos e, como menino, ainda conhecer o Playcenter. (sim, eu tinha 16 anos e falsifiquei a carteira de identidade para poder vir). Para a revelia de minha mãe, e talvez a minha sorte … uma semana depois que eu cheguei eu estreava uma peça de teatro, pela qual três meses depois fui indicado como Ator Revelação ao Prêmio Apetesp e, desta maneira, conheci o Theatro Municipal de São Paulo e ouvi meu nome citado por Nicette Bruno e Paulo Goulart. Dali, trabalhos foram surgindo … o Walcyr Carrasco me convidou para fazer um espetáculo dele no antológico TBC, e eu que ia e vinha do eixo Rio-SP, e já conhecia tão bem a Dutra … vi a necessidade de me transferir para cá. Era muito trabalho surgindo no Teatro, muitas portas se abrindo … mas, não necessariamente tinha retorno financeiro. Meu pai, deixou claro que se saísse de casa, não poderia contar com seu auxílio em absolutamente nada. E assim fui trilhar um caminho em outro Estado sozinho, sem nenhum suporte, lutando pela sobrevivência. Cheio de sonhos, planos e objetivos. Passei fome, sapato furado, jamais recusei nenhum tipo de trabalho dentro de minha área. Encontrei no início muita desconfiança por conta de ser ‘bonitinho’, ‘olho verde’ … e era isso também mais um obstáculo. Provar, provar, provar, antes de tudo talento, e para mim que venceria. Aí fui tentando me virar como podia, juntando com o quase nada do teatro, com as animações em festas, alguns telegramas animados, e muito teste para comerciais. Haviam dias, que simplesmente não tinha o que comer, em outros passava o dia em jejum e ainda ia fazer espetáculo à noite sem nada na barriga. Esperava a peça acabar para jantar no restaurante que nos apoiava. Em outros a única grana eram os R$20,00 do cachê teste para o comercial.

Vipado: Pensou em desistir?
MM: 
Inevitável não pensar nisso. Mas, mais que tudo esta é uma profissão de vocação. Principalmente no Brasil, com tudo que mais cedo ou mais tarde desemboca para você se dar conta de todas as subjetividades, anacronismos, adversidades e surrealidades da escolha de ser artista no nosso país. Se não for por muita vocação, devoção e um amor desmedido; uma necessidade pungente como o ar que você respira e o alimento que te nutre, é impossível seguir em frente. Eu chorei muito, me desesperei mais ainda, me revoltei, mas a força dentro de mim, minha fé, e um trabalho de operário, trabalhando 12, 14, 16 horas por dia, me fizeram ter certeza de que meus esforços e algum talento que tenha me levariam ao que mais desejava, que nunca foi fama. Mas, viver exclusivamente do meu trabalho e alcançar respeito profissional.

Vipado: Qual a maior dificuldade em um trabalho como ator?
MM: Depende do ponto. Se é no que tange a criação, do gerenciamento da carreira, da conquista e escolha do próximo trabalho, ou do papel social e midiático da figura ator-produto. Para cada uma delas, uma série de desdobramentos de dificuldades e desafios a vencer diariamente.

Vipado: De que maneira você utiliza a fama em relação á assuntos políticos e sociais? Costuma se posicionar publicamente?
MM: Eu procuro ser o mais natural possível. Procuro me distanciar ao máximo da figura ‘celebrity’, ‘vip’ ou afins. Acho tudo isso uma cafonice e engodo. Minhas manifestações na mídia ou em minhas redes sociais, são sempre no sentido de não só dissociar a mítica que as pessoas tem sobre, como propor pensamentos cotidianos com a realidade, com o pensar, com a cidadania e viver é um ato político. Me alegro que muitos esperem uma opinião minha. E procuro jamais impor algo. O momento é também de cautela, afinal as redes sociais mais do que nunca, abriram espaço para ódio e crueldades de pessoas escondidas por detrás de seus computadores. Confesso que por esta razão tenho procurado me posicionar bem menos. Vontade não falta. Porque no Brasil atual são pelo menos 4 grandes assuntos bizarros por dia para comentar, né ? (risos) E,  felizmente, no meu caso, tenho fãs gentis que me acompanham fielmente no teatro, que é quando se vê quem realmente te prestigia e te curte.

" Procuro me distanciar ao máximo da figura ‘celebrity’, ‘vip’ ou afins. Acho tudo isso uma cafonice e engodo."

” Procuro me distanciar ao máximo da figura ‘celebrity’, ‘vip’ ou afins. Acho tudo isso uma cafonice e engodo.”

Vipado: Você tem uma personalidade artística muito forte nos vários segmentos que atua. O que o ator Maurício Machado quer dizer às pessoas?
MM: Procuro através de minhas realizações no teatro, que onde eu (apesar da crise de não conseguir colocar meus projetos em cena com a fluidez de sempre) tenho mais controle sobre minhas escolhas, mensagens através dos textos que enceno quer seja de otimismo, de fé, esperança, amor, valores ou um recorte crítico, investigativo, histórico e social contemporâneo. Outro aspecto de suma relevância para mim é a de formação de plateia. Por esta razão, jamais abandonei o teatro sério e de qualidade para a infância que abraça inclusive aos pais na experiência do teatro. De nada adianta choramingar a falta de público no futuro, se você não fidelizar esse publico. Como produtor cultural também me preocupo em produzir espetáculos fortes, temáticos, consistentes, junto com comédias leves que atraiam um publico que procura somente o divertimento puro e simples, mas neste caso ter algum viés que abarque a emoção e formar plateias que nunca foram antes ao teatro. Como curador artístico do Teatro J. Safra, creio que esteja oferecendo o melhor do melhor para a cidade de São Paulo, com artistas consagrados e de inegável talento e conteúdos absolutamente inusitados e tudo de tudo do melhor em: Teatro, MPB, Circo, Dança, Stand-UP, Shows Internacionais, Concertos, Infantis, Palestras, Debates etc.

Vipado: Como tem sido sua experiência com a Rede Globo?
MM: 
Tem sido ótimo. Trabalhar lá é como um refresco para alguém como eu que é um operário das artes, e tem que ralar tanto e tanto para conseguir manter a engrenagem de um escritório de produção cultural, agora uma casa de espetáculos (ninguém pode imaginar o que seja isso !?) e ainda pensar em se dá para pagar as contas pessoais depois disso tudo. Sem qualquer demagogia, sinto a Globo, a cada trabalho, mais preocupada com seu material humano, em prestigiar, em dar boas condições de trabalho ao seu casting e indistintamente. Notei muitas diferenças na casa desde que entrei, as pessoas estão mais gentis e num espírito coletivista e é, de fato, uma indústria, mas que claramente busca um contato humano com seus artistas e equipe. E claro, tem condições extraordinárias e ímpares de trabalho e qualidade.

Vipado: Como é gerir um teatro como o Safra?
MM: 
Quando me perguntavam qual era o meu maior sonho, eu sempre respondia: ter um teatro !
Deixava os produtores de elenco da TV Globo bem descansados, porque meu foco era o teatro e tudo que tiraria dele. Minha paixão, meu tesão e obstinação por teatro são tão grandes, que é o lugar que quem quer mesmo me encontrar vai esbarrar comigo, no palco onde estarei ou nas centenas de plateias que procuro estar vendo tudo. Gosto do cheiro do teatro, fico horas apreciando no saguão as fisionomias de quem vai e escolhe ir ao teatro. Sentindo os perfumes, achando uma delícia aquele burburinho da plateia antes de começar uma apresentação.
Depois instalar o modelo de gestão pensando em todos os detalhes, foi muito pesado e trabalhoso. Engana-se quem pensa que um Teatro seja apenas um lugar que tem lá uma atração. É um negócio burocrático com muitas regras, fiscalizações, que lida com público e tem todas as idiossincrasias de se abrir um espaço de cultura no Brasil. Inclusive no que tange preparar, orientar, delegar e cobrar mão-de-obra. O publico é cada vez mais exigente, a manutenção se dá da calçada da rua ao ar condicionado. Pode imaginar isso? Se falta sabonete no banheiro é reclamação na certa. E a receita diferentemente de qualquer outro comércio são de 6 ou no máximo 7 sessões por semana. Ter elaborado, e batalhado para que artistas como Daniela Mercury, Frejat, Titãs, Daniel, Paralamas do Sucesso, entre outros que nunca tinham se apresentado num espaço teatral, além de conteúdos sempre inéditos e artistas exponenciais não tem preço. Mas ter transformado um teatro de rua, com o gigantismo, a força e o respeito cravado na casa que conseguimos em apenas 3 anos, alçando-o entre os 5 principais teatros hoje de São Paulo, aí é sensação de quase plenitude.

Vipado: Você foi eleito o “homem do ano”? Nos conte sobre isso.
MM: 
Em 2014, recebi o Prêmio Top Of Business Nacional/2014 – pelo Mérito da Carreira e Contribuição à Cultura, no ano seguinte o Prêmio Mãos e Mentes que Brilham/2015, e neste mesmo ano veio o ‘Homem do Ano’, pela Câmara dos Vereadores de São Paulo, onde recebi a comenda do Prêmio Homem de Sucesso/2015, pela trajetória de minha carreira como ator e Contribuição à Cultura Brasileira. Onde foram eleitos alguns poucos de algumas áreas, e que claro, muito me orgulhou. Esse reconhecimento é sempre um combustível, um gás, ainda mais para tantas injustiças que sabemos, e que no mundo das artes e premiações não é diferente. Mas, além da alegria, eleva a responsabilidade de fazer mais e melhor.

O ‘Homem do Ano’, pela Câmara dos Vereadores de São Paulo (Foto: Laércio Luz)

O ‘Homem do Ano’, pela Câmara dos Vereadores de São Paulo

Vipado: Você está trabalhando em algum outro projeto paralelamente à novela “A Lei do Amor”?
MM: 
Sim, sempre. Não posso me dar ao luxo de não trabalhar e só a TV não arca com todas as minhas responsabilidades profissionais e pessoais. Então, toco o escritório. A produtora Manhas & Manias de eventos, que atualmente está captando 6 novos projetos culturais. (quem sabe alguém aqui lê e se interessa em patrocinar um deles, né ?), e em boa parte desses projetos eu atuarei. E, em outros são projetos de meu sócio, Eduardo Figueiredo, em que ele que é diretor e os dirigirá. Atualmente, estou em cartaz como protagonista do primeiro texto para o teatro do consagrado novelista Antonio Calmon; ‘O Aprendiz de Feiticeiro’, que é baseado no conto de 1797 do autor alemão Goethe (e que deu origem a ‘Harry Potter’, ‘Senhor dos Anéis’), e com este trabalho tenho o prazer de subir no meu palco pela primeira vez como ator, lá no Teatro J. Safra. Sou produtor de ‘100 Dicas para Arranjar Namorado’, que está cumprindo apresentações no circuito Ceu’s da periferia de São Paulo, “Frida y Diego” que retoma a excursão. E a Curadoria Artística do Teatro que me toma um tempo enorme. Sou eu mesmo que junto com meu sócio assino a escolha dos projetos que lá se apresentam, a casa tem de ser abastecida o tempo todo com programação e, no nosso caso, é do mais alto nível e padrão. E não só as escolhas dos projetos, mas, convites até o fechamento do contrato são feitos por nós. Além, é claro, da supervisão administrativa do negócio. Um trabalho louco.

Vipado: Como você vê esse movimento de inclusão da diversidade no teatro, na TV e no cinema?
MM: Acho uma pena que tenhamos num país miscigenado, ter de pensar em ‘minorias’. E que não se consiga pensar num colega ator para além do empregado ou escravo. Somos diversos, sim. Somos a soma disso tudo, de raças, culturas, povos . E dá uma preguiça sem tamanho ter de ainda nos dias de hoje discutir sobre esse tema. A sensação que dá é que encaretamos cada vez mais, e a cada 2 passos a frente, 6 são dados para trás.

Como acho igualmente cerceador o episódio recente em São Paulo, de um ator branco tingir-se de preto, para viver um personagem negro, da Cia. Os fofos encenam, ter causado a repercussão de racismo (!!). Ora, Sergio Cardoso se pintou de preto, o inesquecível Grande Othelo de branco .. que bobagem! Seria natural que as artes ditassem moda, quebrassem paradigmas, conceitos. O teatro sempre está na frente disso, depois o cinema. Para a TV, as regras são mais fechadas, e refletem desejos da sociedade e de compromissos com anunciantes. Mesmo assim, há episódicos casos de grandes profissionais nestes veículos que lutam por quebrar paradigmas, e vemos casos de preconceito inclusive entre raças.

Vipado: Acha que a homofobia deveria ser criminalizada?
MM: 
Porque a origem de tanto ódio ? E porque o Brasil é o país que lidera o ranking de crimes homofóbicos ? Eu tenho certeza que deve ser sim criminalizada, qualquer atentado que seja a homofobia, transfobia, tudo isso é origem de uma profunda intolerância. E porque? Que dificuldade é essa de conviver em pleno século XXI entre seres humanos que habitam todos o mesmo lugar, a Terra? E entender que somos por mais que não queiramos aceitar distintos: somos índios, judeus, negros, deficientes visuais, gays, brancos, budistas, amarelos, evangélicos, deficientes físicos, auditivos, ateus, enfim … diversos, distintos. Mas, deveríamos nos reconhecer como espécie humana e termos solidariedade e compaixão. Tudo isso, em sua nascente é fruto de brutal ignorância, que advém da falta de educação e cultura. As únicas armas possíveis de transformar e transmutar esse painel assombroso que vivemos em vários níveis.

Vipado: Quais seus planos e expectativas para 2017?
MM: 
Bom, eu espero ter tão boas e surpreendentes notícias que não sejam só aquelas que batalho e luto por produzir, como as que tive em 2016 ! E estou aberto a todas !! Amo o que faço. Pretendo continuar com ‘O Aprendiz de Feiticeiro’. E Levá-lo ao Rio é um grande desejo.

Vou já já começar a ensaiar um texto especialmente escrito para mim, pelo craque Sergio Roveri; ‘Um Beijo em Franz Kafka’, onde terei a honra e desafio de viver o próprio e serei dirigido por meu sócio.

Continuo na saga de levar à cena ‘M, O Vampiro de Düsseldorf’, clássico do cinema, pela primeira vez no mundo aos palcos. Projeto meu com o diretor Ulysses Cruz, e que está encabeçado no elenco por Stênio Garcia e eu, além de mais 12 atores. São mais de 5 anos lutando pelo patrocínio. Que nem é tanto assim …

Tô com os direitos de uma peça que vi no exterior de 2 Atores e a farei como ator. Comecei a planejar um outro solo que quero fazer, depois da delícia que foi encenar por 3 anos, ‘Solidão, a Comédia’. Todos os projetos estão inscritos em leis. Que Nossa Senhora do Patrocínio me ajude ! Farei a direção de produção de ‘O Gatão de Meia idade’, famoso personagem dos quadrinhos do Miguel Paiva que vão pela primeira vez para o palco com o amigo Oscar Magrini e estreia em julho no Teatro J. Safra. Estou fechando a composição artística de um novo projeto já captado, e que produzirei para este ano: ‘Procuro o Homem de Minha Vida … Marido, já tive !, um best seller na Argentina, e há possibilidades que esse também faça como ator.

Agora, no dia 15 de março, abro o ciclo de debates no Teatro J. Safra com ninguém menos que o grande fomentador da cultura paulistana, Sr. Danilo Miranda, Diretor Regional do Sesc São Paulo, o tema deste será ‘Gestão Cultural’.

Vou retomar o projeto ciclo ‘Damas do Teatro’, onde pesquisei, apresentei, entrevistei e intermediei com o publico uma conversa com as Damas: Laura Cardoso, Beatriz Segall, Eva Wilma, Walderez de Barros e Ana Lucia Torre. Para este ano serão novas convidadas

Vou rodar o longa-metragem ‘Mulheres Alteradas’, pela O2 Filmes. Espero que novas frentes de cinema venham por aí ! (Alô produtores de elenco!) e, estou na expectativa de outros trabalhos na TV que se concretizarão este ano.

Vipado: Analisando sua carreira atual, mudaria algo na sua trajetória?
MM: 
Nada. Hoje, olhando para trás, eu sinto muito orgulho de mim. Não me vendi por nada! Não fiz qualquer concessão e não utilizei qualquer atributo físico para conquistar nada. Sem julgamento ! Quase sempre me pego emocionado, quando alguém me relembra flashes desses 30 anos de carreira profissional, que completarei agora em novembro de 2017; isso sem contar a saga que foi subir num palco antes no teatro amador, que foi minha formação; fiz tanta coisa, mas tanta que eu, em qualquer lugar do mundo, teria o triplo de respeito e uma situação estável para até as 4 próximas gerações … kkk

Foi uma luta mesmo incansável desde os meus 12 anos por um sonho, um desejo, um chamamento interno de contribuir e me expressar para o mundo como homem artista. Longe de qualquer sonho de fama, glória, riqueza, e status. Hoje, me espanto em que pessoas digam me ter como exemplo de vitória, de superação. E sei, que alcancei meus objetivos principais. Agora, é continuar lutando pela sobrevivência, ter saúde e força para continuar matando quase o zoológico inteiro por dia, e meus anseios artísticos no palco através de desafios – que é o que me move.

"Tudo isso (preconceito), em sua nascente é fruto de brutal ignorância, que advém da falta de educação e cultura.".

“Tudo isso (preconceito), em sua nascente é fruto de brutal ignorância, que advém da falta de educação e cultura.”.

Fotos: Laércio Luz

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