Os jogadores do Unicorns Brazil, primeiro grupo poliesportivo LGBTQ+ do País, foram vítimas de homofobia praticadas tanto por frequentadores do Açaí Clube quanto por sócios do centro esportivo localizado no Brooklin, em São Paulo.

Segundo relato publicado no perfil do time no Facebook, os ataques homofóbicos aconteceram duas vezes. A primeira, durante um amistoso contra a equipe do Blue Birds. Enquanto jogavam em uma das quadras, duas senhoras, adentraram o local e fizeram imagem dos meninos sem autorização prévia, tampouco, sem explicações sobre o motivo da filmagem. Logo após realizarem os vídeos, ambas se dirigiram à portaria do clube e, segundo a publicação, em alto e bom som, disseram que “Essas pessoas aí poderiam roubar as bolsas delas”. Na ocasião, o time com pesar, identificou o caso com um clássico e triste episódio de preconceito, seja contra a comunidade LGBTQ+, por racismo ou simplesmente  por elitismo, classismo, tendo em vista que o grupo é extremamente plural.

Depois do ocorrido, os jogadores que estavam em quadra notificaram o clube solicitando providências, tais como a identificação das senhoras e a exibição, entrega das filmagens. Contudo, os responsáveis pelo local se negaram em atender as solicitações, sob a alegação de que as imagens nada representavam e que não tinham provas das alegações dos jogadores.

Apesar do primeiro caso ter ocorrido uma semana antes, no dia 18, o Unicorns fez outro amistoso no local, como de praxe, desta vez contra o time do THUNDERS. Na data em questão, não somente os jogadores dos anfitriões foram vítimas de homofobia e sofreram graves ameaças, o mesmo se repetiu com os convidados, sendo que uma jogadora do time foi vítima de transfobia.

“Os sócios, presentes na área externa, ficaram transtornados com a presença de uma trans – fato alarmado por uma das senhoras que já tinha feito as imagens na sexta-feira anterior – e proferiram ameaças aos nossos jogadores: “VIADO PRECISA MORRER”, “AQUI NÃO É LUGAR PARA ISSO”. Isso mesmo, os sócios do clube AMEAÇARAM NOSSOS JOGADORES DE MORTE, destaque que temos testemunhas, de fora e do próprio clube, que já aceitaram testemunhar na ação de indenização que ajuizaremos contra o clube”, diz o relato.

O time, assim como na primeira ocasião, notificou novamente o estabelecimento requerendo a identificação dos sócios que proferiram as ameaças, porém, mais uma vez nada foi feito. Outro fato curioso e triste nesta situação é que, o conselho do clube intitulado como ‘Conselho de Justiça e Sindicância’, afirmou que ‘não poderia garantir a segurança dos jogadores do Unicorns e sugeriu a saída dos jogadores para a própria segurança dos mesmos, e que o Açaí Clube garantia apenas a segurança dos sócios do local.

Outro fator que vale ser ressaltado é que, na legenda do perfil do clube no Instagram, a legenda diz: ‘Valorizamos o espírito esportivo, o trabalho em equipe e o respeito ao adversário. Crescemos nas adversidades e nos unimos nas vitorias’, palavras totalmente contraditórias contra o tamanho desrespeito e homofobia praticada contra os meninos que como sempre, estavam apenas praticando o esporte com intuito de se divertirem. Além disso, no site do centro poliesportivo, é possível encontrar que os valores do local são ‘família, ética, respeito e disciplina’, pontos que em nenhum momento foram lembrados na hora dos ataques homofóbicos.

Confira a publicação:

Segundo os organizadores do time, diante das ameaças feitas na data anterior, e agora repisadas pelo conselho de justiça do clube, os meninos tiveram que sair da quadra, alguns extremamente abalados, sem condições de prosseguir jogando naquele lugar. Ademais, eles já identificaram algumas pessoas e estão adotando providências criminais e cíveis cabíveis.

*Entramos em contato com o Açaí Clube solicitando nota sobre o ocorrido, porém não obtivemos nenhuma resposta.

Foto: Reprodução