Nascia, em abril de 2015, o Unicorns Brazil, primeiro grupo poliesportivo LGBTQ+ do País,  com intuito de reunir pessoas da comunidade LGBTQ+ para jogar bola. A única regra a ser seguida pelos amigos Filipe Marquezin e Bruno Host, criadores do grupo, sempre foi a diversão.

Paralelamente à diversão, surgiu a ideia de dar oportunidade e incentivo para gays e demais membros da comunidade que gostam de futebol, mas foram e são excluídos do esporte na escola ou em seus ambientes de trabalho, ou seja, na própria sociedade, ocupando um espaço ainda basicamente dominado por homens heterossexuais.

Apesar do sucesso do time ter sido rápido e favorecido às redes sociais e diversas matérias que fizeram o grupo explodir e se tornar inspiração para outras equipes Brasil afora, engana-se quem pensa que eles não enfrentaram dificuldades, principalmente devido à falta de patrocínios. Segundo Marquezin, poucas empresas topam vincular sua marca ao futebol gay. “Afinal, o esporte ja é muito consolidado nas marcas, e ainda há um enorme preconceito”.

O projeto de futebol dos Unicorns se reúne toda quarta-feira, na zona sul de São Paulo.

A falta desse apoio, além de dificultar a expansão do time no Brasil, também já os deixaram de fora da Gay Games, uma espécie de Olimpíada para LGBTs, que aconteceu em Paris no ano passado. Por mais que o grupo tenha sido convidado para o evento, a falta de patrocínios dificultou com o eles pudessem ter viajado para o campeonato.

Mas, depois de participar de importantes torneios de futebol gay realizados pelo Brasil, como a Taça Hornet e a Champions LiGay – organizado pelo próprio clube – o Unicorns conquisto algumas de suas metas: expandir o esporte para além do futebol e patrocínios que os ajudam a seguir em frente em prol de unir diversidade ao esporte.

O time hoje conta com patrocínios do aplicativo de pegação Scruff, que além de apoia-los, acredita na causa, e da tradicional marca esportiva, Adidas, que patrocina nos treinos de corrida e funcional criado em 2017.

“O convite da Adidas veio com o surgimento do Adidas Runners, um projeto da marca esportiva que inovou no conceito de corrida. Hoje são 10 comunidades da Adidas que correm por diversos dias da semana. Cada comunidade tem o seu DNA, e o nosso, por certo, é voltado pra comunidade LGBTQ, mas agregamos a todos, sem preconceito. Logo no ano seguinte, fomos convidados a integrar o projeto Adidas Training, que tem o mesmo conceito, mas para treinos funcionais. Somos a única comunidade nos dois projetos. É muito gratificante ver nosso grupo sendo tão reconhecido e saber que eles defende a diversidade”, diz Filipe.

Ele ainda conclui. “Temos muito em agradecer a Adidas por abrir inúmeras portas paro projeto.  Desta vez, estamos buscando encontrar patrocinadores em especial para o futebol e vôlei”.

Expansão

Os planos para o futuro dos meninos do Unicorns sempre foram audaciosos, tanto que em maio de 2017, criaram o URC – Unicorns Running Crew, o primeiro grupo fora do futebol para a prática de outro esporte. Os adeptos à corrida se tiveram a ideia de se reunirem no Ibirapuera, em parceria com professores especializados nesta modalidade. Logo, o ambiente descontraído, amigável e divertido, nascido no futebol, foi transposto para o local dos encontros. Desde então, eles sempre ressaltaram que não era preciso ser um velocista profissional, ou estar em forma para reunir-se aos amigos e praticar a atividade física, pois todos têm espaço, lembrando-se de respeitar seus limites e abraçando as diferenças.

“Depois de um tempo só com o futebol, percebemos que a comunidade LGBTQ tinha carência em outras modalidades esportivas também, seja por receio de encontrar pessoas preconceituosamente ou por não sentirem-se bem. Então, tivemos a ideia de criar o URC, que cria esse ambiente de corrida seguro e amigável. O mesmo acontece com o funcional”, afirma Host.

Os organizadores do time, Bruno Host, pedro Garani e Filipe Marquezin.

Atualmente, o Unicorns conta com cerca de 200 participantes, que se dividem entre atividades esportivas que acontecem de segunda a sábado. Os treinos de segunda-feira, quarta e sábado são pagos. Já as atividades realizadas às terças e quintas-feiras são gratuitas mediante inscrição no aplicativo Runtastic, disponível para iOS e Android. Outra turma de quarta se divide com o futebol, e todas as sextas, são os meninos do vôlei que ganham a quadra.

Segundo Filipe, os planos de expansão agora são com foco em prol do público feminino. Além disso, levar os Unicorns para fora de São Paulo, ampliar ainda mais nosso alcance nas mídias sociais, e ingressarmos no YouTube.

Adeptos de vôlei podem encontrar os Unicorns às quartas para uma partida do esporte.

Fotos: Divulgação